Páginas

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Máscaras

“Eu penso que ser sincera é uma coisa tão natural, tão mais fácil, que acho que todo mundo sempre fala a verdade pra mim também. E esqueço o quanto as pessoas sentem prazer em complicar tudo. É a minha mania mais perigosa de todas, confiar.
Confio mesmo, até você me provar que não vale a pena, não vale o risco. Aí eu nunca mais vou ser a mesma. Viro, na melhor das hipóteses, sua colega bem distante e não é por mal, é meu reflexo. Pra completar, minha outra mania chata é perdoar. Não guardo mágoa de ninguém, não porque não quero, só não consigo. Juro que não quero ver a pessoa nem pintada de ouro, até ela vir com o rabo entre as pernas e pedir desculpas, simples assim. E mesmo que muitas pessoas que passaram pela minha vida tenham traído a minha confiança, não acho justo punir quem tá chegando, pelo crime de quem já foi. Nessa, quase sempre quem paga a pena sou eu, mas eu durmo bem de noite e é isso que importa. Ás vezes eu fico aqui querendo perguntar pras pessoas "E aí, de tudo que você já me disse, o que era verdade? Só pra saber...". Mas não ia fazer diferença, então deixo as verdades e mentiras assim mesmo, misturadas, eles com suas coleções de máscaras e eu sempre tão exposta. Mas quer saber minha recompensa? Quem gosta de mim, quem tá do meu lado, tá por mim do jeito que eu sou, sem enganação. Amam a mim e não uma personagem. E, no fim das contas, ser enganada fica muito pequeno, porque os maiores enganados são eles mesmos e é uma pena. No meio de tantas máscaras, uma hora o rosto real se perde e tanta coisa se perde junto. Não sei se pode-se atribuir a mim a faixa de ingênua nessa história toda, como sempre é atribuído. Mas eu aceito e lamento. Que percam-se.”

Feliz Sozinha.


“Talvez ele não seja melhor, talvez até seja pior. Talvez ainda não seja ele, quem sabe pra sempre seja você. Mas ele me liga sóbrio e é assim que eu gosto: cara limpa, cara a tapa. Ele não precisa sair de si pra lembrar de mim, não precisa
de dose de coragem pra ser meu. E eu não preciso ter que acordar de madrugada ou ir dormir tarde pra ouvir sua voz. Percebe? Minha opção foi múltipla escolha e as alternativas eram bem claras: Alguém ou ninguém. Não hesitei, chega. Guarda tuas desculpas, economiza teus argumentos. Não tenta me convencer que o problema é comigo, para de me fazer sentir culpada por não estar num bar qualquer numa sexta de madrugada. Porque eu passo só os domingos, segundas e todos os outros dias. E isso é culpa sua, então não inventa mais culpas que entre nós não cabe mais. Acontece que eu cansei do teu senso de humor arrogante, do teu jeito prepotente de se impor sobre mim e dizer sempre em tom de brincadeira o quanto é bom e as suas críticas entre uma piada e outra. Não dá mais pra eu ficar toda feliz com um elogio teu, sempre raros ou quase sempre subentendidos. Não tenho mais paciência pra esperar você parar de reclamar de saudade e vir me ver. Se você não quer perder essa mania de só me dar valor quando tá me perdendo, eu vou cuidar de fazer você dar valor de vez. Não monto mais meus planos e compromissos baseados em você e seus horários sempre cheios pra mim. Bem-vindo ao segundo plano e faz valer, porque do jeito que as coisas andam, fecho minha agenda pra você também. O cara novo, de uma semana, tem prioridade. O de um dia tá na sua frente também e os que eu ainda nem conheci. Tenho elogios, ligações e espaço em agendas todos os dias, nunca se esqueça disso! Você não quis que fossem vindos de você, amém. Mas eu, ainda assim, tenho tudo isso e mais todos os dias. E nunca mais vou me esquecer também.”

Marcella Fernanda


Nós...





“O que é que você tem, que não importa quantas voltas eu dê por aí, sempre acabo nos teus braços, hein? Me diz o que você faz, que sempre quando acho que a gente já deu no que tinha que dar, eu termino achando que você é meu fim, que não tem
jeito? Quem é você, pra me ligar e me ganhar toda vez que eu desisto de nós? Como você chega na minha vida e me faz não imaginar mais vida sem você? Que tipo de ligação é essa? Que amor é esse, que cresce sem ser regado? Que cresce indesejado e continua crescendo sempre que eu tento cortar. Que tipo de felicidade em conta gotas é essa, que você me vicia? Qual é o seu segredo pra eu passar por cima da dor, dos conselhos, do tempo, dos outros caras, do mundo pra ter você mais e mais uma vez? Que loucura é essa de te imaginar nos meus planos de futuro? E em tudo que é meu. Como você se entranha em tudo que me cerca? E manipula, secretamente, tudo ao seu favor. Cedo ou tarde, ao seu favor. O que você faz pra eu pensar no teu nome quando me perguntam sobre amor, filhos e coisas bonitas? Qual o teu segredo pra me fazer lembrar de você quando tudo tá dando muito errado com outro e muito certo também? Qual teu feitiço pra eu sentir saudade até dos seus defeitos e suas milhões de manias irritantes? Quem você pensa que é? Me fala. Teu encanto é esse, não é? É assim que você me prende, me deixando solta. É assim que você me responde, me enlouquecendo de perguntas. É assim a gente se ama, um sendo do outro e ponto, sem respostas ou explicação. Do avesso, ao contrário, de ponta cabeça, apesar dos pesares, mas amor. E muito. E só. E único. E basta.”

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

MUDANÇA


MUDANÇA

"Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros. Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus."

Mude.
"Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!"

(Esse texto é lindo né? Recebi por e-mail, não conheço o autor mas vale a pena ser copiado).