Queria
falar sobre o amor com a propriedade de quem nunca tinha Tido. Amor no sentido
de romance, esquecendo a parte fraternal e amizades, claro. Carrego na mala
alguns projetos de relacionamentos, uns quase namorados, meios carinhos e fins
inteiros, sem nem ter havido começos. Mala pesada, que vira e mexe prejudica
minha coluna, mas poderia ser pior. Sou viciada em atropelar as coisas e sair
jogando vírgulas pra tudo que é canto, vivo com a impressão de que meus começos
já são os meios e talvez nem seja impressão. Sou mal acostumada a ser sincera e
isso nunca me permitiu jogar, trocar de papel conforme a trama mudasse a
direção. E quem não joga em tabuleiro, tende a virar peão.
Meu
primeiro quase amor foi a minha paixão louca e platônica, tradicional, não? 2
anos e uma novela mexicana. Algumas declarações infantis, menino paciente,
nunca tivemos nem amizade e acredito que nesse ponto da vida se iniciou meu
costume em sofrer. Como se fosse uma zona de conforto anti-amor, enquanto eu
esperava desesperadamente que o amor invadisse, porque na realidade todo o
conforto sempre foi só fachada.
Estendi
minha sina até poder transferir todo o peso de querer e não saber amar pra um
novo corpo, meu segundo quase amor. Esse, na verdade, passou longe de qualquer
sentimento, mas foi meu primeiro namorado. Só status, só porque era legal,
terminei dois meses depois e nesse ponto começou minha rota de fuga oficial: Me
ama? Adeus, não sei lidar com isso, desculpa.
Anos e
anos vomitando liberdade até aparecer meu terceiro quase amor. Falava tudo que
eu precisava ouvir, me fazia companhia e carinho, bem cômodo até ele querer um
maldito tempo. Depois de quatro meses, do nada, como quem pede o açúcar na mesa
do café. Senti pela primeira vez o gosto amargo de um fim antes do final,
abortei pela primeira vez um relacionamento, sem saber que isso ainda seria
normal pra mim. Senti fundo tudo isso por estar amando a ideia de namorar, não
ele, nunca ele. Mas dei todo o tempo do mundo, porque relógio eu nunca fui.
Curti
pouco tempo a sensação de sangue escorrendo sem parar, até o início do quarto
quase amor. Doze anos (na verdade idas e vindas de sentimentos atrapalhados),
algumas horas de felicidade extrema, milhões de litros de lágrimas, muita
imaturidade, eu virando boneca numa prateleira cheia de desculpas e egoísmo. Só
que hoje em dia boneca anda, então fui embora, odeio lugar apertado. O fim mais
difícil e adiado da minha vida, mas de parto normal.
Me doeu
pouco (também 12 anos para algo acontecer, tem que esquecer sem dor mesmo) porque
eu já estava no quinto, isso mesmo, no quinto e último AMOR. Eu completamente
metódica, cheia de listas, horários, conceitos e preconceitos. Ele
completamente do avesso, me virando de ponta cabeça e me deixando o que eu
nunca fui na vida: leve. A pessoa mais calma e sensata que eu já conheci na
vida. 1 ano e 1 mês que está valendo uma vida,e que não seja meu segundo aborto
de amor.
Queria
falar sobre dedo na ferida, vodka com gelo e saudade, travesseiro molhado.
Queria dizer que tô acostumada demais a sofrer e, talvez por isso, reconheço e
acolho as dores de todas as minhas tentativas de amor e me assusto como as
coisas agora só fazem bem, sem nem arranhar. Não sei quase nada do amor, ainda
estou aprendendo. Nada além de romances literários, filmes de comédia
romântica, desabafo de amigas. Estou conhecendo e admirando e não é só de nome,
mas queria compartilhar minha única certeza: Amor mesmo não dói, e como não dói !!
Sim eu Descobri o Amor !!
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